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terça-feira, 24 de outubro de 2017

ANTROPOLOGIA ─ RÁQUIS ─ 3

    A primeira vértebra cervical ─ o atlas ─ serve de apoio à cabeça, para o que possui duas superfícies articulares laterais ─ as cavidades glenóides do atlas ─ que se articulam com os dois côndilos occipitais que se encontram situados dum e doutro lados do buraco magno do osso occipital.
    O atlas não possui corpo cilindróide porque ele se desprendeu deste osso e se foui unir ao corpo da segunda vértebra cervical ─ o axis ─ constituindo a sua apófise odontóide.
    O número de vértebras não é o mesmo em todos os mamíferos.
    Nos primatas existem diferenças não só no número total de vértebras como também no número de vértebras de cada região.
    O arquétipo raquidiano dos primatas é o seguinte:

     7 (sete) vértebras cervicais.
    13 (treze) vértebras torácicas.
     6 (seis) vértebras lombares.
     3 (três) vértebras sagradas.
    25 (vinte e cinco) vértebras coccígeas.

    O ráquis humano respeita assim o arquétipo anatómico definido por Schultz e Strauss em 1946.
    O número de vértebras cervicais, de vértebras torácicas, de vértebras lombares e de vértebras sagradas soma, no Homem, 29 vértebras, número total de vértebras fundamentais que se encontra em todos os primatas superiores.
    Consideramos vértebras básicas todas as vértebras que formam o ráquis cervical, o ráquis torácico, o ráquis lombar e o ráquis sagrado, isto é, toda a coluna vertebral, com excepção das vértebras caudais.
    
Esqueleto dum símio, existente no Museu da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.

    Em condições anormais, o número total ou regional e a anatomia das vértebras pode ser diferente.
    A modificação numérica que mais vezes se observa é aquela que diz respeito às vértebras coccígeas, mas esse facto não tem no Homem significado anatómico e clínico.
    Em segundo lugar, na escala de frequência, encontram-se as alterações que se verificam ao nível do osso sagrado, mas estas variações nem sempre revestem importância funcional ou clínica.
    Também se têm comprovado variações do número de vértebras do ráquis torácico e do ráquis lombar.
    Muito excepcionalmente, estas alterações numéricas dizem respeito sòmente a metade do corpo duma vértebra e não à sua totalidade.
    Muito mais frequente do que a variação do número total de vértebras é o aumento ou a diminuição do número de peças vertebrais duma região do ráquis, quase sempre à custa ou à perca de uma ou de mais vértebras pertencentes à região vizinha.
    Por exemplo: É muito citada a tendência da última vértebra torácica a perder as suas características anatómicas particulares em consequência da variabilidade ou pequenez da última costela, que é sempre de comprimento reduzido e que, em cerca de metade dos casos, nem chega sequer a atingir os cinco centímetros.
    Opostamente, a existência duma sexta vértebra lombar à custa da primeira vértebra sagrada observa-se aproximadamente duas vezes em cada mil casos de estudo do ráquis.
    Como estas variações numéricas raquidianas são quase sempre compensadas pelo número de vértebras da região próxima, não se costuma observar qualquer alteração no número total de vértebras, apenas se comprovando a variação regional correspondente.
    A fusão da última vértebra lombar com o sacro ou processo de sacralização da vértebra L5 traz, quando completa e perfeita, uma diminuição para quatro do número total de vértebras lombares, o que provoca uma mobilidade consideràvelmente menor do ráquis lombar.
    Mas a individualização da primeira vértebra sagrada, aumentando para seis o número de vértebras da região lombar, determina uma mobilidade mais acentuada do ráquis.
    A lombalização ou a sacralização pode ser unilateral e, nesse caso, é provocada por um processo patológico que apenas atinge uma metade lateral duma única vértebra, o que cria condições de assimetria raquidiana por vezes com graves consequências anatómicas, funcionais e clínicas.

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