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terça-feira, 12 de setembro de 2017

ANTROPOLOGIA - ÍNDICE CEFÁLICO TRANSVERSO-LONGITUDINAL - 2

    Os valores limites e os valores médios do índice cefálico transverso-longitudinal são ligeiramente mais elevados - uma ou duas unidades - quando se colhem no indivíduo vivo ou revestido das partes moles do que aqueles que se medem no crânio ósseo.
    Os números encontrados costumam ser um pouco mais heterogéneos na mulher do que no homem.
    O índice cefálico constitui o dado antropométrico mais expressivo e com maior significado na caracterização dum grupo populacional.
    Contém um factor genético muito robusto.
   
José António Serrano - Castelo de Vide, 1851-10-06 - Lisboa, 1904-12-07.

    Segundo José António Serrano (1895), é evidente «o alargamento sucessivo do crânio à medida que se sobe na escala dos mamíferos».
    Esta evolução continua a observar-se nos crânios dos representantes dos antecessores prováveis do Homem actual, pois todos são dolicocéfalos.
    A dolicocefalia é um dado geral que está longe de se observar na Humanidade dos nossos dias.
    A braquicefalização parece ter começado a aparecer bastante tarde na evolução do crânio do Homem, pois os crânios pouco alongados apenas se tornaram frequentes no período neolítico, quer dizer, há uns 10 a 15 mil anos atrás.
    Esta tendência evolutiva de arredondamento progressivo do crânio humano tem vindo a desenvolver-se com graus diversos de aceleração, pois a braquicefalização tem variado com os grupos populacionais, consoante as regiões onde tais grupos nasceram e viveram e com as influências genéticas que foram recebendo. 
    Apesar do fenómeno da braquicefalização da Humanidade ser considerado pelos antropólogos como um facto real e progressivo, alguns investigadores como Olivier (1965) levantam a hipótese de que, em alguns grupos populacionais, essa evolução se possa ter estabilizado, esboçando-se mesmo uma certa tendência para a desbraquicefalização.
    Qualquer que seja a realidade e a interpretação teórica destes factos, a conclusão última que se colhe é a de que o índice cefálico  - e, com ele, o crânio humano de uma forma genérica - continua em plena evolução.
    Deve-se ainda a Broca (1895) o reconhecimento do facto de que os valores numéricos do índice cefálico não estão directamente ligados a outros aspectos da configuração do crânio, incluindo a sua capacidade, revelando-se assim bastante independente.
    Também se tem verificado que os valores do índice cefálico não interferem acentuadamente nas dimensões volumétricas da caixa craniana.
    Distribuição dos valores médios do índice cefálico da população actual:

    1 - Crânios muito curtos (índice cefálico maior que 83):
         Europa Central e Europa Balcânica.
         Ásia Central.

    2 - Crânios curtos (índice cefálico entre 80 e 82):
         Europa Central e Europa Oriental.
         Ásia.
         Indonésia.
         América do Norte e América do Sul.
         África Central.

    3 - Crânios longos (índice cefálico menor que 79):
         Europa - Ibéria e Bacia do Mediterrâneo.
         África.
         Ásia Menor, Índia e China Central.
         Austrália.

    Daqui se conclui:
    
    - Que, nos tempos actuais, as populações braquicéfalas predominam nas regiões do centro e oriente da Europa.
    - Que os povos mediterrânicos e os povos nórdicos possuem geralmente crânios alongados.
    - Que as populações da Ásia costumam ser braquicéfalas, constituindo excepções os indianos e os chineses do centro da China.
    - Que existem populações dolicocéfalas em toda a África, mas que os habitantes de algumas zonas montanhosas e das regiões equatoriais são predominantemente mesocéfalas ou mesmo braquicéfalas.
    - Que os ameríndios da América a oriente da cordilheira dos Andes são quase sempre braquicéfalos.

    Os valores médios do índice cefálico têm-se mantido estáveis nas populações do território português.
    

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