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terça-feira, 4 de julho de 2017

ANTROPOLOGIA — NORMA POSTERIOR (LAURILLARD)

    O crânio do Homem actual tem, quando observado posteriormente, um contorno arredondado, quase sempre pentagonóide, umas vezes evidente, outras vezes esbatido.
    O vértice desse pentágono é superior:
     Com efeito, a maior largura do crânio do Homem adulto dos nossos dias situa-se no nível da linha que une os pontos mais salientes das duas bossas parietais (diâmetro transverso máximo ou diâmetro "eurion"-"eurion"):
     Nos outros primatas, nos antropóides e nos hominídeos, antecessores prováveis do Homem, como ainda acontece no Homo erectus, o maior diâmetro transversal situa-se mais abaixo, é inferior, porque tem localização bitemporal.
    O contorno posterior dos crânios dos primatas menos evolucionados do que o Homem não possui aspecto pentagonóide; tem configuração triangular.
    Atrás, a partir do ponto "lambda", a sutura sagital diverge e, de cima para baixo, desdobra-se nas duas suturas parieto-occpipitais:
     Estas suturas continuam-se depois com as suturas temporo-occipitais até atingirem um outro ponto craniométrico de localização par e de encontro temporo-parieto-occipital — o "asterion".
    Forma-se assim a sutura lambdática ou parieto-occipital.
    Algumas vezes, na região posterior do crânio torna-se muito saliente uma porção em forma de concha do osso occipital.
    Tem um feitio convexo e triangular
    Num caso pessoal, a escama do occipital é muito evidente: trata-se dum bom exemplo de occipitocefalia.
    A nuca é uma característica anatómica do Homem e a sua existência é determinada pela posição anterior que o buraco occipital ocupa na base do crânio humano. 
    As dimensões da nuca derivam assim da extensão da porção inferior do occipital.
    A nuca como que substitui, anatómica e funcionalmente, a porção posterior da crista sagital dos animais quadrúpedes onde se prendem os músculos e os ligamentos da região cervical que sustentam a cabeça.
    O músculo trapézio, os músculos das goteiras vertebrais e os ligamentos cervicais são as formações homólogas no Homem. 
    Nas linhas de sutura dos ossos do crânio do Homem, sobretudo na sutura lambdática, diferenciam-se com muita frequência uns ossos pequenos, muito variáveis no número e nas dimensões, muitas vezes múltiplos, cujos contornos são geralmente denteados. 
    Constituem os chamados ossos wórmicos e a sua denominação deriva do nome do anatomista Wormius, crendo-se, segundo Testut, ter sido ele o primeiro a referir-se a eles em pormenor.
Crânio humano apresentando ossos wórmicos
Olaus Wormius (1558-05-13 — 1654-08-31)

Jean Léo Testut (Saint-Avit-Sénieur, 1849 — Bordéus, 1925)
    Aceitamos que a sua existência, tão frequente, seja a expressão da presença real do processo evolutivo ao nível dos ossos da abóbada craniana.
    Os ossos wórmicos podem aparecer nas zonas mais variadas das suturas cranianas e até fora delas, isolados como ilhas pequenas.
    São raros na sutura metópica, na sutura coronal e na sutura temporo-parietal, encontram-se algumas vezes na sutura sagital e observam-se com frequência na sutura lambdóide.
    Junto do "lambda", na porção superior do osso occipital, diferencia-se algumas vezes um osso bastante extenso, desenvolvido, de contorno grosseiramente triangular, que é relativamente frequente nos povos oriundos da América Central e que por esse facto é conhecido com o nome de osso inca ou osso epactal.
As setas assinalam o osso inca ou epactal
    Torna-se porém indispensável não confundir o osso inca com o osso interparietal que menos frequentemente se particulariza na mesma região e que é um osso maior, mais regular, cuja individualização se faz através duma linha transversal que vai de "asterion" a "asterion":
 
Crânio humano onde se assinala um osso interparietal

    Quando acontece que o osso interparietal se isola totalmente, ele divide a escama do osso occipital em duas porções perfeitamente separadas: uma, superior, justa-lambdática, e outra, inferior, situada em torno do buraco magno, que rodeia.
    O osso interparietal é um osso individualizado no crânio dos peixes e dos répteis.
    O seu isolamento dos animais superiores, como no caso do Homem, exprime igualmente a realidade do processo evolutivo ao nível do crânio ósseo e sugere-se que se classifique como atávica a sua presença no crânio humano, pois trata-se dum osso que é normal no crânio dos animais vertebrados inferiores.
    A contrastar com a raridade do osso interparietal perfeitamente individualizado observa-se a existência de formas vestigiais sob o aspecto de pequenas suturas transversais, mais ou menos longas, muitas vezes bem marcadas, quase sempre denteadas, que partem dos dois pontos astéricos, que se encontram com uma frequência muito acentuada.

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