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terça-feira, 11 de julho de 2017

ANTROPOLOGIA — NORMA INFERIOR (OWEN)

   
Crânio em norma inferior (Owen)
     As características morfológicas dos ossos que constituem a base do crânio, a progressiva expansão do encéfalo, a diminuição correlativa da face e do aparelho mastigador, o bipedismo que se acompanha duma mudança de posição e de orientação do buraco occipital, o desenvolvimento da nuca, a anatomia particular do osso temporal e do osso esfenóide, etc. são aspectos que requerem análise neste lugar.
    Quando dum exame, mesmo superficial, a um crânio nesta norma, a atenção deve voltar-se de imediato, atrás, para o osso occipital e para a área onde se abre o buraco magno, e, à frente, para a configuração das arcadas dentárias e para os dentes.
    Num animal quadrúpede, o buraco occipital fica situado atrás, entre 5 a 20 por cento do comprimento total da base do crânio, mas no crânio dos símios e dos antropóides este buraco ocupa uma posição anterior, pois nestes animais ele localiza-se a 30-40 por cento da mesmo distância.
    No Homem actual, a posição do buraco magno e a posição dos dois côndilos articulares que lhe estão lateralmente anexos dominam a dinâmica dos movimentos da cabeça e do olhar e, por esse facto, a sua situação verifica-se numa área situada a 60-75 por cento do comprimento total da base do crânio.
    Assim, o conhecimento da situação e da orientação do buraco occipital é importante para se ajuizar acerca da posição da cabeça do animal e, deste modo, nos animais bípedes, ele fornece dados indirectos que nos permitem avaliar o grau de pefeição do seu bipedismo.
    Este aspecto é particularmente interessante quando se estuda a posição habitual do antropóide ou se pretende conhecer o que deve ter acontecido com um primata evolucionado que se admite ter sido um provável antecessor do Homem.
    A posição relativa do buraco occipital na face inferior do crânio costuma ser expressa matemàticamente pelo índice de Zuckermann.
    Este índice é a relação ou quociente centesimal entre o diâmetro anteroposterior ou diâmetro longitudinal máximo da base do crânio e o segmento desse diâmetro que fica atrás do ponto de encontro da linha transversal que une os vértices dos dois côndilos articulares occipitais.
    No que se refere ao osso occipital é necessário conhecer também o valor do ângulo do buraco, isto é, o valor do ângulo de encontro do plano do buraco magno com o plano horizontal, embora algumas vezes se utilizem outros planos de referência.
    Broca estabeleceu três tipos de ângulos occipitais: o ângulo occipital clássico, o ângulo basilar e o ângulo orbito-occipital.
    O ângulo occipital clássico é o ângulo determinado pelos planos dos diâmetros "nasion" — "opisthion" e "basion" — "opisthion".
    O seu vértice localiza-se no "basion" e a sua abertura é igualmente anterior.
    No ângulo orbito-occipital, o prolongamento do diâmetro "basion" — "opisthion" encontra-se com o plano do eixo da órbita e assim a sua abertura é posterior.
Louis Jean Marie Daubenton (Montbard, 1716-05-29 — Paris, 1800-01-01)

    O ângulo occipital de Daubenton (1764), que é talvez o ângulo mais vezes utilizado neste tipo de mensurações, tem o seu vértice no "opisthion" e é definido pela linha "basion" — "opisthion" e pela linha "opisthion" — base da orbita.
    Os valores do ângulo clássico de Broca, do ângulo basilar de Broca e do ângulo de Daubenton possuem, no Homem actual, valores respectivamente de 10-20, de 41-26 e de 2-9 graus, ao passo que os valores correspondentes nos antropóides andam à volta de 36-41, de 46-55 e de 26-33 graus. 
    Nos primatas evolucionados prováveis antecessores do Homem e mesmo e mesmo nos primeiros representantes do género Homo, o plano do buraco occipital é ainda ligeiramente oblíquo.
    No caso concreto do Homem de Neanderthal, que viveu até há cerca de 50-40 mil anos, o plano desse buraco é bastante próximo do plano horizontal e esse facto basta por si só para nos dizer, inegàvelmente, que o seu bipedismo já era perfeito.
    Nos estudos de Zooologia e de Antropologia, a arcada dentária superior não pode nunca deixar de ser cuidadosamente analisada, sobretudo porque a sua morfologia, assim como a morfologia dos seus dentes, é mais fixa, mais regular e mais característica do que a arcada dentária inferior e os dentes que nela se encontram implantados.  Este facto confere-lhe grande valor anatómico, paleoantropológico e antropológico.
    No Homem actual, a arcada dentária possui uma configuração parabólica ou mesmo ligeiramente hiperbólica, configuração essa que é muito semelhante àquela que se observa nos antropóides, embora a abertura e as extremidades dessa figura em U sejam variáveis, o que parece estar em relação com o tipo oclusivo dentário e com as variações individuais dos dentes:
Arcada dentária superior humana
    As diferenças nas linhas dentárias dos primatas superiores são muito reduzidas.
    No gibão (Hylobates lar) os dois ramos da arcada dentária são pràticamente rectilíneos mas um pouco divergentes.
Gibão (Hylobates lar)
    No gorila (Gorilla gorilla) esses ramos possuem as suas extremidades desviadas para dentro:

    No chimpanzé (Pan troglodytes) os dois ramos têm uma configuração ligeiramente arredondada:
Arcada dentária superior do chimpanzé (Pan troglodytes)


     No orangotango (Pongo pygmaeus), tal como no Homem actual, tendem a afastar-se nas suas extremidades:
Orangotango (Pongo pygmaeus)

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