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terça-feira, 25 de julho de 2017

ANTROPOLOGIA - DENTES - 1

    O estudo do dente possui a mais elevada importância na investigação anatómica, zoológica, paleoantropológica, evolutiva, patológica e clínica em virtude do volume e da natureza dos elementos de toda a ordem que esta peça nos fornece.
    O seu conhecimento representa um dado fundamental para o estudo da origem e do desenvolvimento das espécies animais e fornece informações acerca dos seus hábitos alimentares.
    Com efeito, a sua morfologia particular está tão ìntimamente ligada à espécie animal, fóssil ou actual, que permite, por si só, a definição da espécie à qual o dente pertence e, por vezes, levanta questões interessantes sobre a sua filogenia.
    Os dentes são, com frequência, as únicas peças duma espécie animal, tantas vezes extinta há dezenas de milhões de anos, que chegaram até nós.
    Três exemplos demonstrativos:

    O Gigantopithecus foi um primata fóssil gigante, cuja identificação se ficou a dever a Gustav von Koenigswald (1935), a partir do estudo dos seus dentes enormes que, como agentes terapêuticos, se vendiam nas farmácias antigas da China.
Gigantopithecus (reconstituição)
Gustav von Koenigswald
Dentes de Gigantopithecus
    Foi reconhecido dezenas de anos antes de se terem achado fragmentos de mandíbulas ainda com dentes implantados:
    O Gigantopithecus viveu há 20 - 30 milhões de anos, e a sua corpulência foi bastante maior do que a do gorila actual, calculando-se que a sua estatura tenha atingido os 2 - 3 metros.
    
    O Hipparion, que foi um mamífero fóssil, relacionado com a filogenia dos mamíferos corredores (perissodáctitlos) na sua evolução rumo ao cavalo dos nossos dias, possuiu dentes inconfundíveis em virtude da sua morfologia particular, caracterizada pela existência dum pequeno anel na sua coroa.
    O Hipparion foi um animal muito abundante e muito difundido.
Hipparion (reconstituição)

Dentes de Hipparion

    Os dentes do orangotango (Pongo pygmaeus) actual são fàcilmente reconhecíveis pela presença de ranhuras secundárias, pequenas e múltiplas, que se desenham na sua superfície e que, em virtude do seu aspecto peculiar, uma vez observado nunca mais esquece.
Arcada dentária superior do orangotango (Pongo pygmaeus)
    Com opinião apenas fundamentada no achado de dentes, Cuvier, em 1812, concluiu que, na colina de Montmarte, em Paris, tinham vivido mamíferos marsupiais durante o período Miocénico, isto é, há cerca de 12 a 25 milhões de anos.
    Igualmente em Montmartre foram descobertos mais restos fósseis doutros mamíferos, incluindo primatas, como o Adapis parisiensis.
Cuvier
Adapis parisiensis (reconstituição)
Crânio do Adapis parisiensis
    A mandíbula do marsupial é inconfundível anatòmicamente em virtude da existência dum prolongamento ou apófise óssea muito característica que continua para trás da região do ângulo goníaco do maxilar inferior:

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