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sexta-feira, 9 de junho de 2017

BOTÂNICA — PARTES DA FLOR

    As folhas florais, ordinàriamente, estão dispostas em quatro andares ou verticilos; mas há casos em que os estames, por exemplo, formam mais que um verticilo.
    Conforme já foi dito, as partes da flor são quatro: cálice, corola, androceu e gineceu.
    
    CÁLICE — O cálice é constituído pelas sépalas, cuja côr e consistência são muito semelhantes às das folhas normais, embora a sua forma esteja muito modificada.
    O número de sépalas é variável, e elas podem ser independentes umas das outras — cálice dialissépalo —, ou estar soldadas em maior ou menor extensão —, cálice gamossépalo ou sínsépalo.
    O papel do cálice é, principalmente, proteger as partes internas e mais delicadas da flor, especialmente enquanto ainda está em botão.

    COROLA — A corola é constituída pelas pétalas, e estas são folhas mais profundamente modificadas do que as sépalas, pois são mais tenras e delicadas, e podem apresentar cores variadas, menos, geralmente, a verde.
    Cada uma é constituída por uma parte alargada — limbo —, e uma parte estreita — unha.
    Quando falta a unha chamam-se sésseis.
    As pétalas podem ser livres — corola dialipétala —, como na ervilheira (Pisum sativum), ou soldadas pelos bordos, em maior ou menor expensão — corola gamopétala ou simpétala, como na dedaleira (Digitalis purpurea)
Ervilheira (Pisum sativum)
Dedaleira (Digitalis purpurea)
    A corola é susceptível de apresentar formas, dimensões e cores diversas.
    As formas principais entre as dialipétalas são:

    CRUCÍFERA — quando é composta por quatro pétalas iguais, em cruz, de unha longa, como no goiveiro (Matthiola incana):
Corola do goiveiro (Matthiola incana)
    ROSÁCEA — corola de cinco pétalas iguais, de unha curta, como na roseira-brava (Rosa canina L.) e no morangueiro (Fragaria vesca):

Roseira-brava (Rosa canina L.)
Corola da flor do morangueiro (Fragaria vesca)
    CRAVINOSA — Formada por cinco pétalas iguais, de unha longa, como na cravina (Dianthus chinensis L.)

Corola da cravina (Dianthus chinensis L.)
    PAPILIONÁCEA — Formada por cinco pétalas desiguais, de unha curta, a qual faz lembrar uma borboleta (em latim papilio), como na ervilheira (Pisum sativum):
Corola da ervilheira (Pisum sativum)




    Entre as gamopétalas temos a considerar:

    CAMPANULADA — Em forma de sino, como no rapúncio (Campanula rapunculus):
Corola do rapúncio (Campanula rapunculus)
    TUBULOSA — Em forma de tubo, como as internas do girassol (Helianthus Annuus):
Corolas do girassol (Helianthus annuus)
    AFUNILADA — Em forma de funil, como na corriola (Convolvulus arvensis L.):

Corriola (Convolvulus arvensis L.)
    GOMILOSA — Em forma de jarro, como no medronheiro (Arbutus unedo):
Flores do medronheiro (Arbutus unedo)
     RODADA — Em forma de roda, como na borragem (Borago officinalis L.):
Corola da borragem (Borago officinalis L.)
     LIGULADA — Com as pétalas soldadas, em forma de língua, como as externas do girassol (Helianthus annuus):
Corola do girassol (Helianthus annuus)
     LABIADA — Quando é dividida em duas partes, como os lábios duma boca, como na salva (Salvia officinalis):
Corola da salva (Salvia officinalis)
     PERSONADA OU MASCARINA — Análoga à labiada, mas com a boca fechada, como nas bocas-de-lobo (Antirrhinum majus):
Corola de boca-de-lobo (Antirrhinum majus)
     
    As corolas são, geralmente, aparatosas, o que está de acordo com a sua principal função, que é atrair os insectos, os quais auxiliam as flores na sua função.
    Para isso, as pétalas têm ainda, muitas vezes, junto da base, uma pequena escama, debaixo do qual se forma um líquido açucarado — néctar —, que os insectos procuram àvidamente para a sua alimentação.
    Esses órgãos chamam-se nectários, e encontram-se, por exemplo, na eufórbia (Euphorbia helioscopia L.):
Pormenor do nectário da eufórbia (Euphorbia helioscopia L.)

    ANDROCEU — O androceu é o conjunto dos estames, que são constituídos por filete e antera:
    Os estames podem estar dispostos em um ou mais andares ou verticilos.
    O seu número é variável, sendo constante (dentro de cada espécie), quando os estames são dez, ou menos, caso em que se chamam definidos.
    O número é inconstante quando os estames são mais de dez, caso em que se chamam indefinidos.
    Os estames podem ser livres entre si, como na videira (Vitis vinifera), ou estar soldados em dois ou mais grupos:
     Pelo que respeita à inserção, ela depende do receptáculo:
FORMAS DO RECEPTÁCULO E INSERÇÃO DOS ESTAMES: 1 — Ovário superior e estames hipogínicos; 2 — Ovário médio e estames perigínicos; 3 — Ovário inferior e estames epigínicos.
    As anteras são formadas, essencialmente, por dois sacos polínicos que, na maturação, estão cheios de grãos de pólen, os quais saem para o exterior pela abertura das anteras:
    Esta abertura pode fazer-se por fendas longitudinais ou transversais, por orifícios ou por uma válvula que se levanta.

    GINECEU — O gineceu encontra-se na parte central da flor, constituindo o seu último andar. 
    No seu estado de maior diferenciação consta de uma cavidade — ovário —, de um filamento — estilete —, terminado por uma dilatação — estigma:
Gineceu

    Pode não existir estilete e, então, o estigma chama-se séssil, e está situado directamente sobre o ovário, como na papoila (Papaver somniferum):
Gineceu da papoila (Papaver somniferum)
    Podem existir vários estiletes, livres ou soldados em toda ou parte da sua extensão.
    Como vimos na figura acima, conforme a sua posição relativamente aos outros verticilos da flor, o ovário é superior (1), médio (2) ou inferior (3).
    O gineceu é formado por um ou mais carpelos, que não são mais do que folhas produtoras de óvulos.
    Cada carpelo é uma folha séssil, prolongada em bico, a cujos bordos se prendem os óvulos, donde provêm as sementes:
Carpelo
    Muitas vezes, os carpelos não conservam a forma simples da figura, antes se dispõe de modo a constituir uma cavidade fechada, que encerra os óvulos, e que se chama ovário.
    Este pode ser formado por uma só folha carpelar, que se enrola entre si mesma, e se solda pelos bordos, como na espora-dos-jardins (Consolida ajacis)ovário simples:
Ovário unicarpelar e unilocular da espora-dos-jardins (Consolida ajacis)
     Ou por várias folhas carpelares, que se soldam, para dar um só ovário composto, como no lírio (Lilium sp.), na açucena (Lilium candidum) e na cravina (Dianthus chinensis L.):
Ovário do lírio (Lilium sp.)
Corte longitudinal do ovário da açucena (Lilium candidum)
Corte transversal do ovário da açucena (Lilium candidum)
    Quando o ovário provém de uma só folha carpelar, apresenta geralmente uma só cavidade, e chama-se unilocular; quando provém de várias folhas também pode ser unilocular, quando elas se soldam pelos bordos (B); ou ter tantas cavidades (ou lóculos) como folhas carpelares, quando estas, antes de se soldarem umas às outras, se enrolam sobre si mesmas (A).
OVÁRIOS PLURICARPELARES: A — Pentacarpelar e pentalocular; B — Pentacarpelar e unilocular; C —  Pentacarpelar: a princípio pentalocular; finalmente unilocular.

    Às vezes os carpelos ficam separados.

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