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terça-feira, 23 de maio de 2017

ANTROPOLOGIA — NORMA ANTERIOR (PRICHARD) — 2

    Na parte superior da face, numa região que é comum ao maciço facial e ao crânio, encontram-se escavadas as cavidades orbitárias ou órbitas.
As setas vermelhas indicam as cavidades orbitárias ou órbitas.
    São duas e possuem uma configuração grosseiramente piramidal de base anterior.
    Como acontece nos primatas, exceptuando alguns prossímios, as órbitas são cavidades fechadas, não comunicando com as fossas temporais.
Crânio dum prossímio, o tarseiro (Macrotarsius macrorhysis)
    Em todos os outros mamíferos, as órbitas são cavidades abertas, com comunicação directa através duma abertura em arcada, por vezes incompleta, com as fossas onde se inserem os músculos temporais e que lhes ficam por detrás e um pouco por fora.
    O encerramento das órbitas faz-se à custa das suas paredes externas. 
    A orientação dos eixos fundamentais das cavidades orbitárias está directamente relacionado com a direcção do olhar.
    O ângulo orbitário, isto é, o ângulo existente entre os eixos das órbitas cuja abertura é anterior, tem, no Homem, em consequência do olhar frontal, valores mais baixos do que em qualquer outro animal. 
    No Homem, o plano de abertura das duas órbitas no maciço da face é inferior ao plano do andar superior da caixa craniana, o que quer dizer que as órbitas se situam num nível mais baixo do que aquele que o cérebro ocupa.
    A existência duma diferença entre o nível do plano do cérebro e o nível do plano das órbitas é uma característica humana.
    Os bordos das órbitas têm uma configuração quadrangular, transversalmente alongados, cujos ângulos são boleados ou mesmo muito arredondados.
    Os bordos superiores e inferiores não se dispôem, por sua vez, horizontalmente, pois costumam ser um pouco oblíquos para fora e para baixo.
    Orientam-se segundo um plano que, embora se aproxime do plano frontal, é ligeiramente oblíquo para trás e para fora.
    Esses dois planos fazem assim, entre si, um ângulo obtuso de abertura posterior, cujo vértice está situado no plano sagital.
    Este ângulo é conhecido com o nome de ângulo de Flower, e tem no Homem actual um valor que anda pelos 130 — 150 graus.
     As paredes internas das órbitas são quase paralelas entre si, e deste modo paralelas ao plano sagital.
    Estão separadas pelo intervalo ou diâmetro interorbitário de Broca.
    Este espaço tem dimensões relativamente menores no Homem do que nos antropóides.
    As  dimensões das órbitas são variáveis.
    O índice orbitário, isto é, a relação centesimal entre a largura e a altura da órbita, tem escassa importância quando analisado duma forma isolada.
    As dimensões das órbitas devem ser sempre consideradas em relação à configuração, ao tamanho e a outros aspectos da morfologia da face, particularmente à distância entre as duas cavidades, e ao intervalo interorbitário. 
    A altura, a largura e o índice orbitário e o plano de abertura das órbitas na face parecem estar dependentes das forças de expansão encefálica que durante o desenvolvimento filogenético se comportam como se comprimissem e achatassem as órbitas, deslocando-as para um nível inferior e tornando-as rectangulares.
    Por isso se admite que, no Homem, as cavidades orbitárias têm tendência a baixar as suas dimensões relativas e a acentuar a sua descida na face.
    A configuração do nariz possui importância notável como elemento bioantropométrico e como elemento fundamental na caracterização dum indivíduo ou dum grupo populacional.
    Este facto parece derivar da distância relativa a que o nariz se encontra da caixa craniana, o que determina que nele as forças do encéfalo em crescimento não se façam sentir tão acentuadamente, o que não acontece com as órbitas.
    O índice nasal, isto é, a relação centesimal entre a largura máxima e a altura entre a espinha nasal e o nasion, quando a medição se faz na caveira óssea, foi uma medida antropométrica importante ainda proposta em 1876 por Broca.
Índices nasais

    No Homem actual os valores deste índice oscilam habitualmente entre os parâmetros intermediários de 47 — 51 — mesorríneos.
    Os valores até 47 exprimem um nariz de configuração estreita e alta (leptorríneos) e os valores superiores a 51 referem-se a formas largas e curtas (platirríneos).
    O índice nasal constitui, depois do índice cefálico transverso-lomgitudinal, o coeficiente craniométrico ósseo mais expressivo.
    A distribuição dos valores do índice nasal na população mundial faz-se resumidamente da forma seguinte: 

    1 — Nariz muito largo (índice igual ou superior a 57,5):
            África Central e do Sul.

    2 — Nariz largo (índice entre 55 e 57,5):
            África Central.
            Austrália.

    3 — Nariz de configuração média (índice entre 50 e 55):
            África Tropical.
            Ásia — Índia, Industão e Indonésia.

    4 — Nariz estreito (índice entre 47,5 e 50):
            Europa Central e Oriental.
            América do Norte e América do Sul. 

    5 — Nariz muito estreito (índice entre 44 e 47,5):
            Europa — Escandinávia, Bretanha, Países Baixos, Ibéria e Grécia.
            Ásia — China.

    6 — Nariz extremamente estreito (índice menor que 44):
            América — Canadá.

    Uma das variações mais vezes citadas dos ossos é a divisão, quase sempre bilateral, do osso malar por uma ou mais suturas irregulares.
    Esta variação costuma designar-se com o nome de "os japonicum", em virtude de constituir uma disposição óssea que se observa com frequência nos indivíduos naturais do Extremo Oriente e ser excessivamente rara na Europa.
A seta vermelha aponta uma situação de "os japonicum".
    Alguns antropólogos têm pretendido ver, por isso, na segmentação do osso malar, uma característica morfológica dos povos orientais. 

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