ENFERMAGEM

ENFERMAGEM
É ISTO

terça-feira, 16 de maio de 2017

ANTROPOLOGIA — NORMA ANTERIOR (PRICHARD) — 1

James Cowles Prichard (1786-02-11 — 1848-12-23)

FACE

    Quando a cabeça é observada de frente, isto é, em norma anterior, o rosto ou face preenche a quase totalidade da imagem. 
    O contorno, a configuração, as dimensões e o relevo das diferentes formações anatómicas que constituem a face são variáveis com o grupo populacional e representam os principais elementos que personalizam o indivíduo.
    Na sua constituição entram formações anatómicas ósseas, duras, e formações anatómicas somáticas, moles. 
    São classificados clàssicamente dez tipos fundamentais:

    1 — Elipsóide.
    2 — Ovóide.
    3 — Invertido.
    4 — Arredondado.
    5 — Rectangular ou quadrangular.
    6 — Triangular.
    7 — Trapezóide.
    8 — Rombóide.
    9 — Trapézio.
   10 — Pentagonóide.

    Barbosa Sueiro considerava sete tipos:

    1 — Elipsóide.
    2 — Ovóide.
    3 — Arredondado.
    4 — Quadrangular.
    5 — Rectangular.
    6 — Pentagonóide.
    7 — Triangular.

    Na face humana distingue-se o contorno, a altura total, a altura parcial ou altura da face superior, a largura, a extensão e a obliquidade da fronte, a implantação, as dimensões e a forma do nariz e das narinas, incluindo a sua orientação, e as características da mandíbula.
    Além disso, torna-se também indispensável definir o tom de pele, a implantação, a coloração e o tipo de cabelo, o tamanho dos globos oculares e a côr da íris, o desenho, as dimensões e a disposição das fendas palpebrais, o tamanho, a forma, o aspecto e a espessura dos lábios, etc.
    O estudo da face exige a sua  análise bioantropométrica.
Desenho do esqueleto da cabeça em norma anterior. 1 — Altura total da face (na — gn]. 2 — Altura da porção superior da face (na — pr]. 3 — Largura bizigomática ou diâmetro transversal máximo da face (zy — zy). 4 — Altura do nariz (na — sn). 5 — Largura máxima.
    Os principais diâmetros faciais são os seguintes:

    VERTICAIS:
    1 — Nasion-mentoniano — altura total da face.
    2 — Nasion-prosthion — altura da face superior.
    3 — Alvéolo-mentoniano — altura do arco da mandíbula

    TRANSVERSAIS:
    1 — Biorbitário interno.
    2 — Biorbitário externo ou interorbitário.
    3 — Bimalar.
    4 — Bigoníaco — largura máxima da mandíbula.
    5 — Bizigomático — largura máxima da face.

    Os índices faciais usados com maior frequência são:

    1 — Índice facial: Diâmetro nasion-mentoniano x 100
                                             Diâmetro bizigomático
    2 — Índice facial superior: Diâmetro nasion-prosthion x 100
                                                            Diâmetro bizigomático

    3 — Índice orbitário: Largura da órbita x 100
                                             Altura da órbita
    
     4 — Índice nasal: Largura máxima do orifício nasal x 100
                                                   Diâmetro espinho-nasion

    O índice facial total é a relação centesimal entre a largura e a altura da face. 
    Nem sempre pode ser determinado porque, com muita frequência, não se dispõe de mandíbula.
RESUMO DA DISTRIBUIÇÃO DA FREQUÊNCIA DOS VALORES DA MÉDIA DESTE ÍNDICE PELA POPULAÇÃO MUNDIAL

    
Caveiras de diferentes origens, nas quais se notam os diferentes índices faciais.
    1 — ÍNDICE SUPERIOR A 90 — FACES LONGAS, ALTAS:
           Europa — Escandinávia.
           Ásia — Ásia Menor e Tibete.
           África — Sahara, Somália e Corno de África. 

    2 — ÍNDICE ENTRE 86 E 90:
           Europa — Centro e Sul.
           África — Norte e Oriental.
           Ásia — Centro e Sul.
           América — Andes.

    3 — ÍNDICE ENTRE 82 E 86 — FACES DE LARGURA MÉDIA:
           Europa — Balcãs.
           Ásia — Sibéria, China, Industão e Polinésia.
           África — Centro e Sul.
           América — Norte e Sul.
      
    4 — ÍNDICE MENOR QUE 82 — FACES LARGAS:
           Europa — Lapónia.
           África — Golfo da Guiné.
           América Central.
           Austrália. 

    A determinação do valor do índice da face superior é indispensável nos estudos biométricos pela facilidade da sua obtenção e pela sua enorme importância antropológica. 
    O seu conhecimento reveste interesse teórico e prático e contribui para o estudo comparativo das relações entre a cabeça e a face, quer no Homem actual quer nos primatas seus antepassados prováveis, quer ainda nos primatas evolucionados,
Julius Kollmann (1834-02-24 — 1918-06-24)
     CLASSIFICAÇÃO SEGUNDO KOLLMANN:  

    Eurienos — Índice menor do que 49,9 — Faces curtas, largas.

    Mesenos — Índice entre 50 e 54,9 — Faces médias.

    Leptenos — Índice maior que 55 — Faces altas, longas.     

 
Georges Cuvier (1769-08-23 — 1832-05-13)
    Segundo Cuvier, "...o Homem é, de todos os animais, aquele que possui maior crânio e aquele que tem menor face... os animais, à medida que se afastam das proporções relativas existentes entre o crânio e a face (do Homem), se tornam mais estúpidos ou mais ferozes...".
    O quociente entre o volume do crânio e o volume da face é, no Homem, enormemente favorável ao crânio, não obstante a riqueza notável que os componentes moles faciais conferem à expressão fisionómica, à mímica e ao valor da comunicação humana, qualidades típicas do Homem.
    Tudo isto se repercute nos valores numéricos do índice facial superior.
    O desenvolvimento progressivo do encéfalo e do crânio e o domínio das actividades psíquicas e mentais sobre as funções da mastigação tornam-se evidentes quando se procede ao exame das relações volumétricas cranio-faciais.
    Mas essa superioridade, dimensional e expressiva, das relações crânio-face torna-se ainda mais saliente quando se comparam os volumes globais destas duas porções da cabeça e se completa esse confronto com a análise do prognatismo.
Franz Weidenreich (1873 — 1948)
VALOR DAS RELAÇÕES CRANIO-FACIAIS NO HOMEM E NOS PRIMATAS EVOLUCIONADOS, SEGUNDO WEIDENREICH, EM 1941


     As relações dimensionais entre o crânio e a face podem ser expressas não só por um quociente numérico mas também por uma fórmula geométrica que é clàssicamente o ângulo esfenoidal de Welcker.
Ângulo esfenoidal de Welcker. A — nasion. B — efípion. C — basion.
Hermann Welcker (1822 — 1897)
    Este ângulo é definido por dois segmentos de recta que, partindo à frente do "nasion" e atrás do "basion", se encontram num ponto ou vértice situado a meio da goteira do osso esfenóide, que é o ponto esfenoidal ou "efípion".
    Estes dois segmentos de recta separam a caixa craniana do maciço ósseo facial e, deste modo, tornam evidentes os volumes correspondentes de cada uma destas duas porções constituintes da cabeça. 
    O ângulo esfenoidal e a análise comparativa dos seus valores, quer no Homem quer nos animais evolucionados, fornecem elementos interessantes para o estudo da cabeça óssea.

Sem comentários:

Enviar um comentário