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sábado, 25 de março de 2017

EVANGELISTA DE TOLEDO ANDA DESCALÇO, PELOS CAMINHOS, HÁ 16 ANOS

Carl James Joseph conversa com Jan Harris, no carro, à porta da Primeira Igreja Metodista Unida, em Cullman.
Joseph diz que encontra aceitação no Sul.
Por David Yonke
Editor de BLADE RELIGION
Publicado em 6 de Maio de 2007


    Quando Carl James Joseph deixou Toledo em 1991, partiu descalço, vestindo  uma túnica e levando consigo apenas uma Bíblia, um rosário e uma escova de dentes.
Joseph, na sua itinerância evangélica.

    O evangelista de cabelos compridos, de voz suave, que se chama a si mesmo  "Qual é o Teu Nome?", mas que é geralmente conhecido como "O Jesus", percorreu desde então, o seu caminho, através de 47 estados e 13 países estrangeiros.
     — Sou apenas um prégador itinerante — disse Joseph ao " The Blade", numa entrevista recente.
Numa das suas deslocações ao estrangeiro.



 
Durante a sua permanência em Jerusalém, Joseph percorreu a Via Dolorosa, procurando viver o mais intensamente possível o caminho de Jesus para o Calvário.

Joseph em Jerusalém, com dois turistas.

    Em 2000, este graduado pela High School de Bowsher estava vivendo silenciosamente à sua maneira através da Pensilvânia ocidental quando os meios de comunicação mundiais de repente descobriram de repente este evangélico contra-cultural que parecia ter saltado das páginas da Bíblia.
     Joseph encontrou-se logo na revista Time e na Good Morning America, 20/20, na televisão britânica, no Washington Post e numa série em três partes no The Blade.        
    Ficou muito intenso.
     — Foi uma história muito importante em todo o país e internacionalmente, também. — disse ele — Fugi um pouco disto.
     Segundo ele, dirigiu-se para sul, onde os meios de comunicação não são tão intrusivos e as pessoas parecem aceitar melhor a sua aparência heterodoxa e a sua mensagem do Evangelho. 
    — O Sul é um mundo totalmente diferente — disse ele.
     Joseph, agora com 46 anos, ainda usa uma túnica, nunca usa sapatos ou sandálias, usa longos cabelos castanhos divididos meio, tem barba, porque é mais fácil do que barbear-se todos os dias, e leva consigo apenas uma Bíblia, um rosário e uma escova de dentes .
     — O uso do rosário, e até mesmo da Bíblia, será o que for necessário na ocasião — disse.
     No inverno usa uma túnica mais quente, mas ainda assim anda descalço.
     — Muitas pessoas perguntam-me pelos sapatos. — disse ainda — Descobri que dando este passo extra de fé (não usar sapatos), atrai a atenção das pessoas.
    Não tem emprego ou dinheiro, dependendo inteiramente da generosidade dos outros.

    Nunca casou. 
    — Nunca senti essa vocação para a família e assim por diante. — explicou — Acredito que foi uma maneira de Deus me preparar para esta vida.
     Mas andando muitos milhares de quilómetros, não pode estimar o número registado na "portagem" do seu corpo, e no ano passado Joseph sofreu uma cirurgia artroscópica em ambos os joelhos.
     — Diminuiu em extremo a minha capacidade de andar — disse ele — Durante o Inverno não conseguia andar. Mal podia ficar em pé. Agora sou capaz de andar alguns quilómetros, no máximo. Tenho de fazer as coisas de forma estável, em vez de ir de área para área, constantemente a pé.  
    — A cirurgia ao joelho, como a prótese dentária que tinha feito na semana passada, foram-me doadas. — disse.
     Pessoas que o conhecem ou um corajoso estranho dão-lhe comida e abrigo, embora ele não aceite dinheiro.
     Durante algumas noites, quando ninguém lhe oferece um lugar para dormir, dorme em igrejas, parques, bosques ou praia.
     — A maior parte das vezes, o que fiz desde que saí da área da Pensilvânia era viver literalmente vivendo da maneira como Jesus disse: "O Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça." — disse Joseph — Suponho que vivendo sem dinheiro vejo nisso a mão de Deus, porque posso entrar numa área e conversar com as pessoas e elas sabem que não é sobre dinheiro. Sentem-se seguras. Sabem que isto é puro. 
    Disse que começou a andar porque julgou não dever contribuir para a poluição ou para as indústrias do petróleo e do automóvel. 
    — Aproveito  agora (os carros) por uma boa razão, mas naquela época disse que, a menos que tenha certeza de que é a vontade de Deus, vou andar. 
    Nunca possuiu um telemóvel, e se arrepende-se de ter concordado ter um por breve tempo, a pedido de um produtor de notícias de televisão em Filadélfia, que queria poder entrar em contacto com ele para uma notícia de ocasião.
     — Concordei então em levar o telemóvel de alguém, fui para o centro da cidade e conheci esse sem-abrigo, que estava feliz por me encontrar porque me viu na TV. —  disse Joseph — Usou a mudança de reposição para me comprar uma água num "Mc.Donald' s" e, em seguida, o telefone celular desligou-se e toda a sua atitude mudou. Julgo que isto prejudicou a minha credibilidade. 
    Riu-se quando questionado sobre o "e-mail". 
    — Posso ter enviado um "e-mail" na minha vida. Certamente nunca recebi nenhum. 
    Joseph permaneceu uns tempos em Cullman, no centro-norte do Alabama, uma cidade de 14.000 habitantes, a meio caminho entre Birmingham e Huntsville.
     A cidade fica a 10 quilómetros a noroeste de Hanceville, sede da Eternal Word Television Network (EWTN), a rede de televisão católica transmitida em 144 países e 140 milhões de lares, ee onde se localiza o Santuário do Santíssimo Sacramento.
     — A vida estacionária tem as suas bênçãos. disse Joseph Consegui, de certo modo, começar de novo. Essa é uma razão pela qual agora sou James Joseph em vez de "Qual é o Teu Nome?". É diferente aqui. Notei a segregação profunda que aqui é um problema, especialmente na religião. Eu era então capaz de entrar em áreas onde ajudava a reunir negros e brancos.
    Joseph nasceu em Detroit e cresceu em Toledo, frequentando a Gesú Elementary School. 
    Tinha 12 anos quando ele e o irmão mais velho, Vincent, foram convidados a unirem-se à Igreja Católica.
     Os irmãos aceitaram, foram baptizados e fizeram a Primeira Comunhão uma semana depois.
     James participou da Escola Secundária Jesuíta de St. John durante 3 anos, antes de se transferir para Bowsher, como graduado, formando-se em 1978.
     Um ano depois foi confirmado na igreja de Nossa Senhora do Monte Carmelo, em Temperance. 
    Nunca frequentou o seminário, mas dedicou boa parte da vida à leitura da Bíblia e dos escritos de grandes figuras religiosas.
     Disse que seria inexacto defini-lo como autodidacta. 
    — Gostaria de enfatizar que é o Espírito Santo. — disse — Jesus disse que o Espírito Santo ensinará todas as coisas. Os Apóstolos foram, por exemplo, ensinados directamente por Jesus, mas na realidade não o foram até o Espírito Santo vir sobre eles no Pentecostes, quando foram capazes de partilhar e escrever. Sim, li muito, sòzinho, a Bíblia, os padres da Igreja, alguns dos estudiosos das Escrituras dos últimos 2.000 anos. Mas diria que é especialmente através do dom de Deus, através da oração, que tenho sido capaz de partilhar. E também, como Jesus, é através da experiência. Uma coisa é aprender lendo; outra é aprender pela experiência. 
    Joseph disse que prega uma mensagem cristã, não especìficamente o catolicismo.
     — Sempre estive aberto a tudo o que Deus quer. Realmente nunca parti com a intenção de viver este estilo de vida particular. — disse — Mas uma vez que reconheci que era o que Deus me chamava a fazer, segui-O. 
    O pai, Louis Joseph, de 71 anos, vive em numa casa arrendada mas condenada, em Toledo Oeste, e está à espera de em breve se mudar para perto do filho.
     Ele quer unir forças com um homem que possui uma propriedade perto do santuário da EWTN, no qual projecta construir cabanas para peregrinos a arrendar a baixo custo. 
    Louis Joseph, que está separado da esposa, Bette, disse que lamenta não ter sido um católico activo quando James era jovem.
     — Tentei incutir os valores católicos básicos de honestidade, integridade e moralidade. Mas não tinha muita ênfase nele como agora. Ele fez-me mais dessa maneira. Faz isso com todos com quem contacta. É uma pessoa bastante incomum. 
    Marie Arsenault, de 65 anos, uma canadiana que vive em Cullman, conheceu James Joseph pouco depois de se mudar para o Alabama, há três anos. 
    Ela e o marido cederam ocasionalmente um quarto ao evangelista, e ele tem ficado com os Arsenaults desde Dezembro. 
    — Ele é muito normal, de muito fácil trato. disse a Sra. Arsenault Muito inteligente. Muito doce no falar. O Espírito guia-o. É definitivamente um homem muito santo. Para mim, é como se Jesus viesse visitar-nos.
     Um monsenhor da Pensilvânia chamou a Joseph um S. Francisco de Assis moderno, e algumas pessoas relataram curas miraculosas depois de entrarem em contacto com o prégador itinerante. 
    Joseph disse que tenta evitar os "carimbos" de curador ou profeta.
    — Julgo que esta é uma das razões pelas quais usei o apelido particular de "Qual é o Teu Nome?". Temos uma maneira de colocar as pessoas em categorias através da  posição. E eu estava muito consciente disso. Em certo sentido, identificar-me-ia como um apóstolo, como alguém que vive uma vida apostólica durante 16 anos... Identifico-me mais com o termo "evangelista". — disse. 
    Sean Tracey, de Portsmouth, New Haven, está a terminar um documentário sobre Joseph, intitulado "The Jesus Guy", que projecta estrear em vários festivais deste Verão.
     — Julgo que muitas pessoas estão fascinadas por quem ele é, o que faz e o seu compromisso com isto tudo. Há muito interesse na forma como está a orientar a sua vida. — disse Tracey.
     Ele editou mais de 70 horas de filme no documentário de 65 minutos, e decidiu chamar-lhe "The Jesus Guy" (O Jesus) porque geralmente é assim que as pessoas da rua se referem a Joseph.
     O evangelista descalço enfrentou uma série de obstáculos nos seus 16 anos de viagem.
     Disse que foi expulso do México em 1999, quando funcionários do governo se preocuparam com as grandes multidões que o seguiam. 
    No Texas, segundo ele disse, um grupo de jovens ameaçou crucificá-lo.
     Foi preso em Greenfield, no Sudoeste do Ohio, por desobediência, quando se recusou a parar de prégar a uma multidão.
     A acusação foi mais tarde retirada. 
    Na Pensilvânia, um homem acusou Joseph de blasfémia, e depois tentou esfaqueá-lo.
     Há alguns meses, Joseph disse que foi insultado por um ministro numa igreja afro-americana, no Alabama.
     — Fui convidado para a frente, e o que ficais a saber é que o pastor estava a  falar de um diabo branco e, em seguida, a falar de ser senso comum usar sapatos. Sabia que ele estava a falar de mim, pessoalmente. Só tive de sacudir o pó dos pés e seguir em frente. — disse — Pode ser muito difícil para mim, emocionalmente. Mas a rejeição é algo que não me deveria surpreender. Na vida de Jesus, não foi o sucesso na pregação ou os milagres que trouxeram a salvação. Foi o sofrimento e a morte na cruz. 
    Ùltimamente, segundo disse, tem ido às escolas públicas nos dias de alfabetização, ler os Evangelhos e responder às perguntas dos alunos.
     — Fui convidado como leitor e a minha escolha de livros foi a Bíblia. Durante todo o dia trouxeram pessoas que faziam perguntas. Eu não fui proselitista, mas respondi às perguntas. — disse.
     Disse que nunca tentou fundar uma comunidade religiosa, preferindo realizar a evangelização por conta própria.
     — Tenho a sensação de que Deus me chama para algo único. Talvez haja pessoas que querem seguir um estilo de vida semelhante. Mas não sei como formalizá-la como uma ordem religiosa ou algo do género. Julgo que uma razão que evitei foi a idéia de um culto ou coisa parecida.
     Espera continuar a jornada da mesma maneira pelo maior tempo possível. 
    —  O núcleo do meu ser quer seguir Jesus da maneira mais literal. — disse  Joseph — Pode mudar, por não ser tão móvel, por exemplo, mas  tenho uma profunda convicção de como viver este simples estilo de vida.
Joseph prégando a um grupo de crianças.

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