quinta-feira, 19 de setembro de 2019

ANTRPOLOGIA ─ MEMBRO SUPERIOR

    A omoplata constitui o osso superior da espádua.
    No Homem é um osso alongado no sentido crânio-caudal, ao contrário do que acontece com a omoplata dos animais quadrúpedes.


Omoplata do Homem.
Omoplata do cão.
    Assim, a omoplata humana não acompanha a orientação geral das costelas em oposição àquilo que se observa nos animais que se deslocam apoiando-se nas quatro membros.
    Esta característica anatómica da omoplata do Homem é comum a todos os primatas, mas esse alongamento crânio-caudal é reduzido nos símios.
    Nos antropóides, particularmente nos grandes braquiadores, ele é bastante acentuado.
    A posição e a forma triangular alongada da omoplata em relação ao esqueleto do tronco não são aprnas influenciadas e determinadas pela braquiação e pelo bipedismo: elas variam ainda de acordo com a configuração geral da caixa torácica.
    É curioso apontar que o ângulo de encontro da linha cervical com a linha do bordo umeral da omoplata tem o vértice situado na proximidade da superfície articular ou cavidade glenóide.
    A abertura deste ângulo olha para cima nos quadrúpedes mas está orientada para dentro nos primatas bípedes.
    As cavidades articulares têm naturalmente posições opostas às aberturas angulares.
    Os valores do ângulo articular da omoplata são menores nos quadrúpedes do que nos primatas braquiadores ou bípedes.
    Na omoplata do cão, por exemplo, este ângulo mede cerca de 50 graus, mas, na omoplata do Homem, o seu valor sobre para 80-85 graus, de acordo com as medições verificadas em 1982.
    Estas conclusões confirmam os resultados obtidos por Olivier em 1956.
    A superfície articular da omoplata está orientada para fora no Homem e encontra-se amplamente aumentada por um debrum fibrocartilagíneo glenóideu que a acrescenta em todos os sentidos, sem que essa ampliação venha a permitir a contenção perfeita da cabeça do úmero, ao contrário do que acontece no membro inferior com a cavidade cotilóide do osso ilíaco e com a cabeça do fémur.
    A espinha da omoplata está orientada no sentido do centro da cavidade glenóide da omoplata e é perpendicular ao seu plano.
    Vallois chama por esse facto à espinha da omoplata a aponevrose intermuscular ossificada da omoplata.
    Com efeito, a maneira como a espinha se fixa ao triângulo básico da omoplata, as inserções dos músculos que nela tomam apego (o trapézio e o deltóide) e a sua função no Homem sugerem-nos, de facto, a característica anatomo-funcional que aquela denominação sugere.
    A omoplata é um osso com um certo grau de dimorfismo sexual: tem tendência a ser mais larga na mulher do que no homem.

quarta-feira, 18 de setembro de 2019

ANATOMIA ─ ETMÓIDE ─ 4

    FACE ANTERIOR ─ Esta face está talhada em bisel à custa da sua face externa e da sua face inferior, de tal maneira que se orienta para a frente, para fora e para baixo:


Massa lateral direita do etmóide.
Face externa do etmóide.
Vista interna esquemática das massas laterais.
Está indicada a tracejado a projecção dos limites das faces anterior e externa que não pode
mostrar a vista interna das massas laterais.
Esquema A ─ Os cornetos estão no lugar.
Esquema B ─ Os cornetos foram ressecados ao longo do bordo superior.
    A face anterior articula-se com a parte superior da face interna do unguis e também, pela parte superior, com a face interna do ramo ascendente do maxilar superior:

Relações entre si dos ossos que constituem as paredes externa, superior e inferior das fossas nasais.
A mesma imagem com os cornetos etmoidais seccionados ao longo do seu bordo superior.

Corte horizontal das fossas nasais e da órbita, passando pelo corneto e meato médios.
A negro: o etmóide.
A azul: o esfenóide.
A vermelho: o únguis e o palatino.
Em linhas: o maxilar.
A tracejado e pontilhado: o osso malar.
As superfícies em secção estão coloridas a cheio.
As superfícies livres dos ossos estão indicadas em tonalidades mais ligeiras.
Corte horizontal das fossas nasais e da órbita, passando sobre os cornetos etmoidais.
Os ossos estão coloridos segundo o esquema da figura de cima.
O osso nasal está a cinzento pontilhado, tal como o osso malar.
    Esta face apresenta semi-células completadas por semi-células ungueal e maxilar.

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

ZOOLOGIA MÉDICA ─ O PARASITA E O SEU MEIO

    O que se disse anteriormente refere-se ao parasita e ao seu meio imediato, ou seja, o hospedeiro a que aquele se adaptou, na sua evolução para a vida parasitária.
    O hospedeiro é a «habitação» ecológica imediata, mas hospedeiro e parasita têm de subsistir num ambiente mais vasto, a comunidade.
    Este macrocosmos é constituído não só por número variável de hospedeiros receptivos, mas, também, por outros animais e plantas, todos sujeitos às condições climáticas, tais como a temperatura, a pluviosidade, abundância ou escassez de alimentos, e superpovoamento.
    Os factores favoráveis ou desfavoráveis que afectam o hospedeiro, influenciam igualmente o parasita, a sua capacidade de sobrevivência, de reprodução e de transmissão de um hospedeiro a outro.
    As infecções que se conservam a um nível mais ou menos estável de prevalência, na população humana de determinada área, são designadas por endémicas, enquanto que as que se comportam de modo análogo em relação aos animais se chamam enzoóticas.
    Quando adquirida pelo Homem, a infecção enzoótica toma o nome de zoonótica ou zoonose.
    Quando o hospedeiro é o Homem, ou animais de importância económica, tornam-se essenciais certos aspectos do comjunto parasita-hospedeiro-comunidade.
    Tal afirmação é especialmente válida quando o parasita é prejudicial para numerosos indivíduos e, consequentemente, para a sua comunidade.
    Nas regiões tropicais de África, a mosca tsé-tsé (Glossina morsitans) constitui não só o vector biológico dos tripanossomas que produzem a doença no Homem, mas, também, dessas e doutras espécies de tripanossomas patogénicos que infectam o gado vacum, destruindo, desta forma, o principal alimento dos povos.

Mosca tsé-tsé (Glossina morsitans).
Tripanossoma brucei.
    Em tal caso, o aspecto económico complica grandemente o problema da tripanossomíase humana, em consequência do estado de subnutrição das populações.
    Estes e muitos outros exemplos mostram como as parasitoses animais podem afectar a vida e bem-estar humanos, contribuindo para reduzir a tolerância às enfermidades a que o Homem se encontra exposto.

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

SAÚDE PÚBLICA ─ CONCEITO E DEFINIÇÃO ─ 2

    A actuação da saúde pública como actividade progressivamente mais eficiente e mais adaptada às tarefas que lhe vão sendo atribuídas baseia-se, ao mesmo tempo, na investigação teórica que é feita pelas disciplinas académicas de pesquisa e trabalho exploratório, no estudo dos problemas concretos que constituem o padrão dominante das doenças na população e no trabalho profissional orientado directamente para os indivíduos, famílias e meio ambiente, com o objectivo de intensificar as condições de promoção da saúde e de eliminar ou diminuir as causas e efeitos da doença, por meio de serviços organizados que actuam coordenadamente, de acordo com planos a longo e a curto prazos.
    As duas finalidades ─ de investigação e estudo e de actuação prática ─ não são mùtuamente exclusivas e, pelo contrário, devem ser prosseguidas em concordância e tanto quanto possível dentro de programas de trabalho com a mesma orientação.
    Neste sentido, a prática da saúde pública é uma profissão que assenta no conhecimento científico dum certo número de campos, especialmente a medicina, a biologia, a engenharia e a sociologia, e que, por meio duma organização de serviços próprios, a que corresponde uma estrutura técnica e administrativa específica, utiliza esses conhecimentos no sentido de resolver os problemas da saúde, tal como vão sendo definidos e tornados tècnicamente solúveis, e promove, pelos serviços de investigação e discipklina que realizam a pesquisa e descoberta de novos conhecimentos, o estudo dos aspectos ainda não esclarecidos que os problemas da saúde e da doença apresentam nas diversas populações em cada fase política, económica e social da sua evolução.


DEFINIÇÂO DE SAÚDE PÚBLICA SEGUNDO WINSLOW (1923)

    Saúde Pública é a ciência e a arte de prevenir as doenças, de prolongar a vida e melhorar a saúde e a eficiência mental e física dos indivíduos, por meio dos esforços organizados da comunidade tendo em vista o saneamento do meio ambiente, a luta contra as doenças que apresentam importância social, o ensino aos indivíduos das regras de higiene pessoal, a organização de serviços médicos e de enfermagem com a finalidade do diagnóstico precoce e do tratamento preventivo das doenças, assim como pôr em execução as medidas sociais convenientes para assegurar a cada membro da colectividade um nível de vida adequado à manutenção da saúde, por forma que cada indivíduo possa usufruir o seu direito à saúde e à longevidade.

    Este programa exprime de forma concreta os grandes objectivos da saúde pública, que podem ser reunidos em quatro capítulos com a seguinte ordem de prioridade:

    1 ─ Promoção da saúde.
    2 ─ Prevenção da doença.
    3 ─ Diagnóstico e tratamento precoce da doença.
    4 ─ Recuperação.


DEFINIÇÃO SEGUNDO A AMERICAN PUBLIC HEALTH ASSOCIATION

    Ciência e arte de manter, proteger e melhorar a saúde do povo através dos esforços organizados da comunidade.


DEFINIÇÃO SEGUNDO HILLEBOE (1965)

    Ciência e arte que permitem pôr em acção os conhecimentos e ttécnicas fornecidos pelas ciências médicas e pelas disciplinas aparentadas num esforço colectivo e coordenado para manter e melhorar  a saúde dos grupos de indivíduos.


    Desde que a função da saúde pública é aplicar da forma mais apropriada e eficiente, como agentes da melhoria da saúde individual, familiar e da comunidade, todos os conhecimentos, descobertas e possibilidades científicas, educativas e sociais, logo que técnica e administrativamente utilizáveis, torna-se indispensável conhecer em pormenor o estado de saúde da colectividade e acompanhar as tendências da  sua evolução.
    A saúde da colectividade pode ser avaliada em termos da quantidade de doença e de incapacidade presentes ao longo do tempo nos indivíduos que a constituem, do número de mortes por várias doenças que ocorrem anualmente, e em termos de ausência de certos tipos de doença ou de variação dos mesmos nos períodos de tempo considerados.
    Outros aspectos específicos, que traduzem a quantidade de morbilidade e mortalidade infantil, de doenças infecciosas e parasitárias, o grau de incidência das diversas doenças crónicas e sociais, as características alimentares e o estado nutricional da população, são habitualmente incluídos entre os indicadores empregados para definir e comparar os níveis de saúde das populações.

terça-feira, 3 de setembro de 2019

PRÁTICA MÉDICA ─ ALTERAÇÃO NO COMPORTAMENTO

    A alteração no comportamento é uma técnica usada para mudar o modo de proceder.
    Faz uso extensivo de reforços positivos e aplica reforços negativos e estímulo adverso em menores quantidades.
    Pode ser aplicada a situações de emergência e deve ser encarada como um valioso instrumento.
    Alguns aspectos da alteração do comportamento podem ser aplicados a situações de emergência.

    REFORÇO POSITIVO ─ é geralmente equacionado ao conceito de recompensa.
    Implica fazer com que a lógica contida na prática seja enfatizada pela própria prática.
    Esta técnica é usada para provocar um aumento na frequência de uma resposta desejada.
    De acordo com o comportamento ou resposta ao tratamento, orientação, etc., a equipa deve responder com atenção, aprovação, interacção positiva, encorajamento e apoio.
    Isto servirá para aumentar a frequência de um comportamento desejado.

    REFORÇO NEGATIVO ─ Este conceito é geralmente mal entendido.
    Não se trata de nenhuma forma de castigo, pelo contrário, antes de prémio.
    Difere do reforço positivo em que este consiste em garantir algo que o doente reconhece como bom, enquanto que a recompensa, no caso do reforço negativo, consiste na remoção de algo que o doente reconhece como mau.
    O prémio é a remoção.
    O reforço negativo dá uma recompensa que diminui a ansiedade, procurando estender a frequência de uma resposta comportamental desejada.
    Um exemplo deste tipo de reforço é educar o doente e a família para a necessidade de suprimir ou interromper certos conceitos negativos para a saúde.

    ESTÍMULO ADVERSO ─ A punição ou estímulo adverso tem como finalidade diminuir a frequência de respostas comportamentais indesejáveis, sendo portanto classificado como reforço.
    Segundo este conceito, o comportamento indesejável é punido com variáveis que o doente percebe não serem desejáveis, o que resulta numa menor probabilidade de retorno.
    Quando não produz resultados, o método de alternativas pode ser reforçado pelo do estímulo adverso,

PRÁTICA MÉDICA ─ EDUCAÇÃO DO DOENTE E DA FAMÍLIA ─ PREVENÇÃO

    Qualquer tratamento, antes de ser iniciado, deve ser explicado ao doente.
    O doente e a família devem ser devidamente  instruídos se for necessária a sua cooperação.
    Uma instrução correcta consta da explicação e da demonstração, permitindo que o doente e / ou os seus familiares ponham as suas questões.
    Pela expressão das pessoas é possível apercebermo-nos se compreenderam ou não.
    O doente não deve ter alta enquanto não tiver entendido bem como proceder quando sair do internamento.
    Actualmente as instruções (notas de alta) são fornecidas por escrito.


PREVENÇÃO

    A prevenção é essencial para futuros procedimentos e protecção da comunidade.
    O objectivo principal deve ser a protecção da saúde.
    Quando o doente tem alta deve ser educado no sentido de evitar certas doenças ou acidentes.
    A educação preventiva pode compreender relatos de situações reais de emergência e como evitá-las.